Óleo de coco, manteiga de coco, saúde e obesidade

    Por Adriano Cáceres, terapeuta ayurvédico, graduando em nutrição, especialista em Alimentação Viva e coordenador do Semente N’ativa

    O uso do óleo de coco e da manteiga de coco na culinária tem sido largamente difundido por profissionais da área da saúde, uma vez que diversas pesquisas mostram os seus benefícios na manutenção da saúde, e também no tratamento da obesidade. E quando estudamos os efeitos metabólicos dos óleos industriais (soja, milho, canola e girassol), que são ricos em gorduras ômega-6, percebemos que o uso excessivo destes óleos, associado à uma dieta rica em açúcares ou produtos açucarados, têm sido os principais responsáveis pelo aumento da incidência de doenças circulatórias e obesidade. Há muitos estudos que mostram essa relação. Ainda, vale lembrar que os óleos industrias mencionados podem apresentar resíduos de solventes de petróleo como o N-hexano, além de outros contaminantes.

    O óleo e a manteiga de coco são ricos em ácidos graxos saturados de cadeia média (especialmente o ácido láurico e o ácido caprílico). São ácidos graxos que apresentam propriedades antimicrobianas, ajudando no combate à fungos, bactérias e certos tipos de vírus. Além disso, no óleo de coco extra-virgem (prensado a frio), observa-se uma maior concentração de compostos fenólicos (o que confere um maior poder antioxidante) em relação ao óleo de coco refinado (1). Muitos suplementos de óleo de coco no mercado estão sendo feitos com óleo de coco refinado. Portanto, o consumidor deve estar atento a esta diferença, dando preferência ao óleo de coco orgânico extra-virgem.

    Pesquisa feita em 2008 mostrou que o óleo de coco apresenta propriedades antitrombóticas (inibição da formação de trombos) e efeitos de inibição da oxidação do LDL (2), uma lipoproteína que transporta o colesterol. Sabe-se que um dos principais fatores que causam a aterosclerose é a inflamação nos vasos sanguíneos, associada ao LDL oxidado. Dessa forma, o óleo de coco pode contribuir para a saúde cardiovascular e para a prevenção de doenças circulatórias. Tais efeitos provavelmente se devem à presença de componentes biologicamente ativos no óleo, como vitamina E, provitamina A, polifenóis e fitoesteróis. É importante lembrar que o óleo de coco, embora seja o óleo mais indicado para frituras, perde boa parte destes componentes antioxidantes, quando é exposto a altas temperaturas.

    Além dos efeitos benéficos mencionados, o óleo de coco ainda pode ser utilizado com sucesso no tratamento da obesidade. Sabemos que o adipócito é a célula responsável pelo armazenamento de gordura, em nosso corpo. Dentro dos adipócitos, assim como dentro da maioria dos tipos de células em nosso corpo, existe uma organela muito importante chamada mitocôndria. Talvez você já tenha ouvido falar dela nos tempos de colégio. A principal função da mitocôndria é a produção de energia. Dentro das mitocôndrias acontece uma sequência de reações muito importantes, conhecidas como Ciclo de Krebs. Se a mitocôndria é a usina de geração de energia, o Ciclo de Krebs é a sala de máquinas. Os compostos ricos em elétrons produzidos no Ciclo de Krebs doam os seus elétrons para a Cadeia Transportadora de Elétrons, e através de um processo conhecido como fosforilação oxidativa, é produzida a maior parte da energia biológica que precisamos para viver. Essa energia é armazenada na forma de uma molécula, denominada ATP. Na Cadeia Transportadora de Elétrons, estão envolvidos 5 complexos. Mas existe um sexto complexo chamado de UCP-1 (unidade desacopladora de elétrons), cuja função é fazer termogênese. Já ouviu falar dos alimentos termogênicos? Pois é, um alimento termogênico verdadeiro possui a capacidade de estimular a UCP-1, gerando calor e fazendo o adipócito queimar a própria gordura. E as pesquisas têm mostrado que o óleo de coco é um alimento estimulador das UCP-1, podendo contribuir para a queima de gordura do adipócito, o que é muito interessante no tratamento da obesidade (3).

    Outros trabalhos mostraram que o óleo de coco e a manteiga de coco são capazes de aumentar os níveis de GLP-1, no intestino, que também é uma substância que estimula as UCP-1, contribuindo para queimar a gordura do adipócito. Daí a importância de se ter um intestino saudável, para produzir bastante GLP-1 e poder queimar gordura no adipócito. Vale lembrar que qualquer mudança na alimentação deve ser acompanhado por um profissional de saúde. No caso do óleo de coco, não se deve consumir mais do que 3 colheres de sopa por dia, pela sua tendência em elevar o colesterol, quando em excesso. Além disso, deve-se atentar para o fato de que uma colher de óleo de coco possui cerca de 130 calorias, enquanto uma colher de manteiga de coco possui cerca de 100 calorias. Ou seja, é um alimento relativamente calórico, mas que possui efeitos notáveis no metabolismo.

    Se o óleo de coco é uma boa opção, a manteiga de coco parece ser ainda melhor. Isso porque a manteiga de coco possui fibras prebióticas, ao contrário do óleo de coco. Uma colher de manteiga de coco possui cerca de 2g de fibras, além de pequenas quantidades de potássio, magnésio e ferro. Para apresentar esses benefícios, é importante que a Manteiga de Coco seja produzida a partir de cocos secos integrais, desidratados a temperaturas inferiores a 45oC e sem o uso de conservantes ou aromatizantes. A manteiga de coco apresenta o sabor naturalmente adocicado do coco e pode ser consumida in natura ou em preparações culinárias diversas.

    Referências:

    (1) – MARINA, A. M. et al., 2009 – Virgin Coconut Oil – emerging functional food oil. Trends in Food Science and Technology, 20 (2009) 481-487.

    (2) – NEVIN, K. G. & RAJAMOHAN, T., 2008 – Influence of Virgin Coconut Oil on blood coagulation factors, lipid levels and LDL oxidation in cholesterol fed Sprague-Dawley rats, The European e-Journal of Clinical Nutrition and Metabolism, 2008 (3) e1-e8.

    (3) – PORTILLO, M. P., et al., 1998 – Energy restriction with high fat diet enriched with coconut oil  gives higher UCP-1 and lower white fat in rats, International Journal of Obesity (1998) 22, 974-979

     

    manteigacoco_bioporã

     

    Óleos Integrais x Óleos Isolados

    Um vídeo para fazer você refletir sobre os óleos vegetais isolados, como o azeite de oliva e o óleo de coco.

    A química, autora e palestrante Conceição Trucom* oferece uma visão contundente a respeito dos óleos vegetais isolados.

    Será que estes alimentos são tão benéficos como se autodeclaram?

    Trucom também fala sobre alimentos oleaginosos integrais e responde a dúvida de muita gente: afinal, qual é a diferença entre a Manteiga de Coco Bioporã e o óleo de Coco?

    Nossa intenção sincera em compartilhar este vídeo não é atacar este ou aquele alimento. Queremos contribuir para o exercício da reflexão, pois sem ela não existe consciência alimentar.

    Bom proveito!

    Confira o material original em: http://www.docelimao.com.br/site/tv-de-bem/2089-tv-de-bem-com-a-natureza-10-oleos-isolados.html

    *Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida. Conheça mais sobre o seu trabalho em: www.docelimao.com.br