Cozinhar é Amor Próprio e Segurança Alimentar*

    *Por Malu Paes Leme

    amor_cozinha

    Você gosta de cozinhar?

    Bom, eu amo! Mas só fui descobrir esse amor muitos anos depois que eu tinha nascido. Mais precisamente quando descobri o vegetarianismo com meus 17 anos. Desde então busquei e fiz aulas de culinária vegetariana para me virar em casa, e cozinhava diariamente pra mim, errando e acertando, criando e recriando receitas e acabei descobrindo esse amor todo pela cozinha. Depois vim a descobrir mais uma coisa, esse amor todo na verdade era além do ato de cozinhar, era um amor por mim mesma.

    Aquela conexão que a gente faz quando cozinha é algo inexplicável. Melhor ainda depois que consumimos aquele alimento feito por nós mesmos, que tem toda uma parte de nós, nossa energia, nossos pensamentos, nosso gosto pessoal… E o melhor é que o ato de cozinhar começa antes com a escolha dos alimentos, depois o preparo que nossas mãos já vão assimilando nutrientes, já vão mandando informações para o nosso cérebro do que a gente vai consumir (e desta forma nós acabamos digerindo melhor), e depois o resultado de uma comida feita com amor, acaba gerando mais amor para dentro de nós e por nós. Melhor ainda se consumimos alimentos saudáveis, naturais, frescos, orgânicos e em seu perfeito estado para consumo.

    Aqui em casa eu procuro fazer o máximo de preparações dos alimentos. Sabe aquela comida caseira, mas caseira mesmo? Que até o molho

    de tomate sou eu que faço? Então, a proposta de ter uma vida mais saudável e conectada é muito  isso: cozinhar/cruzinhar o próprio alimento.

    Mudar o hábito alimentar já é difícil. Incluir um novo hábito de cozinhar é ainda mais difícil para muitas pessoas. Sabe porquê? Porque desde criança ouvimos que dá trabalho e vimos e consumimos alimentos rápidos, de redes de fast food, de saquinho, pacotinho, enlatados, prontos para ir pro microondas, etc. E há muito tempo que cozinhar em casa com a família e ensinar a cozinhar nas escolas virou ultrapassado, pois imagina, não cabe nos tempos modernos onde temos MUITO o que fazer, e perder tempo com cozinha não vale a pena.

    Mas, como também temos visto, as doenças estão cada vez mais presentes desde cedo na vida das pessoas. As alergias então! Aposto que você que está lendo este post ou tem intolerância a algum alimento ou esta prestes a ter. Tudo isso nos mostra o quanto distante estamos de nós mesmos. O quanto não estamos nos amando realmente. O quanto damos valor a outras coisas, muitas vezes banais, supérfulas e que só ajudam a nós termos menos saúde, vitalidade e desconexão com tudo.

    Comer fora é uma delícia, eu sei. Podemos experimentar pratos diferentes dos nossos do dia a dia, entramos em um ambiente diferente com decoração diferente, somos servidos!, não precisamos ficar um tempão na cozinha… mas será que você vê a cara de quem está cozinhando pra você? Sente a energia que ele/ela está passando para o seu alimento? Você sabe o que eles colocam na sua comida de temperos, aditivos químicos, glutamatos, gordura etc.?

    Essas perguntas são importantes de serem feitas quando escolhemos o caminho da saúde.

    Nada contra restaurante. Acho ele uma mão na roda, e conheço bons e poucos que são feitos por pessoas com muito amor e conexão aos alimentos e o ato de servir ao outro. Mas, acredito que cozinhar para si mesmo é muito mais seguro pois sabemos exatamente o que estamos colocando pra dentro (nutrientes, temperos, quantidades, etc.), e é um ato de amor a si próprio e uma conexão que fará toda a diferença na nossa saúde.

    Quando se trata de alimentação para os nossos filhos aí mesmo que o mais seguro é comer em casa.

    A minha proposta com a Alimentação Inteligente é conectar você com você mesmo. Pois foi isso o que eu fiz ao descobrir a culinária saudável e o estilo de vida ativo, conectado e que respeita o meio ambiente que eu vivo.

    Para quem deseja se aprofundar nesta reconexão com ato de cozinhar/de se amar/de se auto conhecer, recomendamos conhecer o site da Malu: Alimentação Inteligente e continuar conectado aqui no nosso Blog para colocar a “mão na massa” e as receitas em prática!

    O Sabor do Coaching

    Por Thiago Prigol Aires**

    Quer experimentar um sabor novo na sua vida? Que tal um sabor de mais saúde, disposição e bem-estar? Todo mundo quer, certo? Será que quer mesmo?

    Certa vez em uma conversa me questionaram: Você é daqueles que tem problema em comer qualquer coisa? Eu respondi: Não, eu como super bem, por isso não tenho problema, já quem come qualquer coisa… Rimos, mas a verdade é que muitos acham que comida saudável não tem sabor, e que quem leva um estilo de vida mais saudável não vive. Acredite, comida saudável pode ser, sim, sinônimo de preparações muito saborosas e muito bem-estar.

    Difícil criar hábitos alimentares mais saudáveis? Costumo dizer que difícil é o que não queremos, do contrário é um desafio. Se você quer realmente ter uma vida mais equilibrada é exatamente assim que precisa encarar. Não sou nutri, médico, nem mesmo chef, sou master coach, mas adoro esse universo da saúde, na verdade adoro ter conhecimento do que pode me fazer bem. Como já disse, “é como você encara…”, em outras palavras, como você vive.

    Ok, você vê aquela sobremesa maravilhosa e levam poucos segundos para você sair da dieta, e, pior, depois a consciência ainda pesa e vêm as fortes emoções. Talvez o foco não seja a dieta! Se você deseja mudanças sustentáveis, é um fato, você precisa criar novos hábitos e formatar outros. Com o Coaching você consegue desenvolver sua inteligência emocional com mais agilidade e reprogramar sua forma de pensar para conquistar novos resultados. Uma nova atitude pode mudar tudo!

    Então, será que você quer mudar seus resultados? Preciso dizer que esse processo de transformação não é para qualquer pessoa. Sair da zona de conforto é desafiador, e não é qualquer um que está disposto a enfrentar desafios. Em situações relacionadas à saúde, acho sensato contar com a ajuda de um nutricionista, por exemplo, contudo, eu repito: o trabalho começa na sua mente. Um bom processo de Coaching pode ser a cereja do bolo. Bolo saudável né!

    Veja lá, não se engane mais uma vez! Como disse minha querida cliente Dra. Dayse Caldeira numa de nossas sessões de Coaching: “O saudável também engorda.” Ou seja, se você é o que come, também é a quantidade que come… E, acordar no meio da madrugada pode ser um problema… Quer sentir um novo sabor na sua vida?

     

    thiagocoach VocêAlém avatar**Thiago Prigol Aires é master coach, empreendedor e estrategista de alta performance.

    Contato: thiago@vocealem.com.br

    Instagram: @thiagocoach

    Blog: http://vocealem.thiago.coach/

    Alimentação Integrativa: descobrindo os aspectos mais sutis dos alimentos

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    Sentar à mesa e se alimentar é um convite para olhar com consciência ao que se coloca dentro da boca, um momento para refletir sobre o que está sendo nutrido, como e porquê. Esse parar e perguntar pode fazer muita diferença nas nossas escolhas alimentares, que acabam refletidas na vida como um todo.

    A grande descoberta se dá ao acessar a percepção de que, às vezes, a fome é por acalmar uma dor, cessar a ansiedade, encontrar um colo… Um comer até então inconsciente, que leva a nutrir e fazer crescer exatamente o que se gostaria de sanar.

    Imagine alguém, em uma crise de ansiedade, respiração curta, peito apertado, um turbilhão de pensamentos e uma vontade louca de acabar com tudo isso. Com a mente atordoada recorre a lembranças que acalentam, volta no tempo, vai pra casa da avó, sente o cheiro do bolo de chocolate e começa a salivar, querendo se apropriar de seu grande salvador, doce, gostoso, hummm…

    Sai em busca do bolo e, diante dele, procura encontrar a paz desejada. Come um pedaço, devora mais um, engole outro, vai pondo para dentro uma garfada atrás da outra na procura do tal conforto, que demora a dar as caras e, quando surge, some rapidinho. O apreciar é esquecido, a saciedade se perde em uma busca por mais, por aquilo que está em outro lugar, e a ansiedade só faz é crescer.

    É preciso saber o que está sendo nutrido, a verdadeira causa da ansiedade, e com essa revelação se apropriar de novas escolhas, agora mais conscientes, buscando sanar a causa e não o sintoma.

    Sim, uma descoberta e tanto: o alimento nutre algumas coisinhas que nem se imaginava ser possível. Ele alimenta o corpo físico, suas emoções, pensamentos, espiritualidade.

    Este movimento que conduz a um novo olhar sobre a alimentação, é libertador, pois rompe com atitudes repetitivas. A Alimentação Integrativa é um convite para transformar e fazer escolhas conscientes que nutrem o que há de melhor em cada um de nós.

    Além dos benefícios para a saúde, a Alimentação Integrativa reconhece o potencial do alimento para promover um “despertar”. Um olhar mais abrangente sobre a alimentação ajuda a desenvolver habilidades para identificar os aspectos mais sutis presentes no alimento, ampliando sua capacidade nutricional além do físico. Aprender a saborear “integralmente” nos permite absorver melhor o potencial energético de cada alimento e nos conecta também com o aspecto sagrado de cada refeição.

    Por Anah Locoselli, terapeuta holística, alquimista da culinária e criadora da “Alimentação Integrativa”.

    A Arte da Mudança

    Por Tiago Ribeiro de Paula*

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    Já disse um antigo sábio que a natureza do universo é a mudança.

    Todos nós no curso de nossa evolução pessoal vivenciamos este fluxo dinâmico e constante que são as mudanças em nossa realidade. Diferentes percepções, diferentes entendimentos e naturalmente diferentes sentimentos. Assim, sempre estamos envolvidos neste rio corrente que é o passar do tempo.

    Alguns buscam a excelência no campo dos esportes, outros na música, na carreira, no sucesso empresarial ou político e em incontáveis atividades. No entanto, independente de nossa área de atuação pessoal e profissional, todos nós, sem exceção, precisamos aprender a conviver em harmonia com o contínuo processo de mudança. Aprender como mudar de maneira saudável, criativa e evolutiva é uma das mais valiosas habilidades que podemos desenvolver.

    Sim, desenvolver e aprender a arte da mudança. A gente aprende a mudar!

    Mudança se desenvolve. E também, com dedicação, entrega e sabedoria, aprendemos a ver a beleza da mudança e a amar este processo universal que só pode fazer parte de um poder superior e de uma perfeição divina que nossa mente pode não entender, mas que está lá. Sempre esteve e sempre vai estar.

    Dessa forma, dar as boas vindas à mudança, saudá-la com entusiasmo e incentivá-la como atitude de melhoria de nosso mundo, é uma arte que, honestamente aprendi a amar de todo coração. Acredito que a mudança não precisa ser dolorosa e sofrida. Não precisa ser um caminho árduo e espinhoso. A arte de mudar pode ser aprendida através da vontade de sair da zona de conforto e pode ser celebrada com entusiasmo. E uma das maneiras mais belas e naturais de mudar é através da alimentação. Basta uma breve olhada nas centenas de profissionais maravilhosos que hoje fazem parte da rede de alimentação saudável, orgânica e verdadeira. Seja através da internet, seja através de projetos locais em povoados distantes, estes “magos da Nova Era” têm feito suas Alquimias alimentares e, além de oferecer muitos sabores, têm transformado, curado, nutrido e embelezado nosso mundo de uma maneira vital.

    Estamos diante de um momento crucial em nosso planeta. Um momento decisivo. Onde, mais que bem-vinda, a mudança também se faz necessária. Vamos celebrar a vida de verdade, através da nossa reconexão com a Natureza. Não é preciso sofrimento, não é preciso nenhuma dieta de restrição radical.  Apenas aceitar o convite para redescobrir o prazer do que é simples, natural e verdadeiro.

    Como? Um mundo harmônico e maravilhoso com diversas possibilidades já existe e brilha radiante dentro e fora de nós. Sejam todos bem-vindos a praticar esta mudança! Vamos juntos abrir espaço para em movimento mais criativo, prazeroso e ecológico nos diversos campos das nossas vidas!

    * Tiago Ribeiro de Paula é trainer em PNL, autor dos livros ” Quatro estações de Amor” e “Com licença estamos Passando”, praticante de crossfit e apaixonado por alimentação de saudável. Trabalha com as comunidades indígenas do sul da Bahia, buscando a pacificação de conflitos, a autossustentabilidade e o Etnodesenvolvimento. Contato: trdeepaula@gmail.com

    Livre-se da Normose*

    *Trechos da entrevista cedida pelo Prof. Hermógenes para o livro “Palavras de Poder”, Ed. LeYa, 2011.

    Professor_hermogenesJosé Hermógenes de Andrade Filho (1921-2015) é considerado o pioneiro em medicina holística no Brasil, com mais   de 50 anos de prática e ensino de Yoga. Filósofo, poeta, escritor e terapeuta, o professor Hermógenes viveu até os 94 anos e inspirou milhares de pessoas com seus livros, suas ações e seu exemplo. Com a sua experiência e observação, criou a palavra “normose” para identificar aquele que talvez seja um dos grandes problemas da sociedade contemporânea.

    “Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito ‘normal’ é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.

    Quem não se ‘normaliza’, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.

    A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?
    Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem!

    Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha ‘presença’ através de modelos de comportamento amplamente divulgados.

    Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

    normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias.

    Um pouco de auto-estima basta.

    Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu ‘normal’ e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.

    O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

    Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.

    Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.”

    O mundo “normal” nos atrai. Enquanto atrai, nos distrai. E porque nos distrai, nos trai. Se nos deixamos trair, ele nos destrói.

    É hora de despertar!

    Sinceramente: “Deus me livre de ser normal”.

    Desde que comecei a caminhar no Yoga venho conseguindo manter uma bendita e invejável “anormalidade”. Eu já fui “normal” e não tenho saudades. Venho estendendo meu convite a todos para que comecem a sua “desnormalização”. E, este meu convite é uma expressão de amor ao homo sapiens, à minha espécie.

    Será absurdo clamar aos homens e mulheres desta sacrificada, caótica, amoral, violenta, injusta, vazia, entediada, poluída, cruel, amalucada e decadente sociedade em que vivemos que tomem consciência, e não mais continuem a submeter-se inconscientemente a esta lógica, obsedante e patológica “normalidade”?

    Será estranho o meu clamor aos acomodados ou rendidos que se rebelem e se libertem?

    Será mesmo descabido a proposta de uma terapia que pretenda curar esta doença que vem sendo chamada “normalidade”, “normose”?

    O homem “normal” é um doente! Quando se diz “em terra de cego quem tem um olho é rei”, está se dizendo que a cegueira é o “normal”.  Nesse caso, o “anormal”, aquele que vê, é bastante melhor, tanto que pode ser o “rei”.

    Há décadas, o Papa Paulo VI diagnosticou a sociedade de seu tempo, dizendo: “O mundo está doente”.  Você contesta? Ou constata?

    Considerando somente as aparências, isto é, aquilo que a mídia (imprensa, rádio e TV) fez aparecer, o mundo parece estar em acelerada degradação, parecendo um filme de terror, escorregando para a tragédia.  Visando vender para os “normóticos”, para a massa ignorante (que ignora e faz tudo para seguir ignorando), desprovida de discernimento – e, sem dúvida, padecendo de acentuado distúrbio sadomasoquista, que se deleita no consumo de notícias mórbidas, de sujeira, crueldade e pavor -, os grandes veículos se aprimoram em acentuar as tintas negras, os sintomas alarmantes, ao dar publicidade predominante ao lado enfermiço da humanidade.

    E não é somente a imprensa que vende tais aspectos e componentes trágicos, doentes e poluídos da sociedade humana; a sub-arte também. Cinema, fitas de vídeo, novelas, casas de espetáculo exageram os aspectos chocantes, aberrantes, teratológicos (estudo das monstruosidades), mórbidos, poluentes e sórdidos das vidas de homens e mulheres.

    E os alimentos? A propaganda infantil é a mais cruel de todas, porque já incentiva ao consumo de alimentos que danifica seus corpos, cérebros e mentes.

     Os teóricos argumentam que isto é a realidade e é assim que deve ser mostrada. O que é assim não é a realidade, mas apenas um setor da sociedade, aquele que alguns irresponsavelmente acham de vitrinizar. Alguma parte da sociedade é de gente boa, equilibrada, sadia, espiritualmente nobre e bonita (“anormais”), mas alguns obsessivamente fazem questão de ignorar.

    Quantas pessoas e instituições sociais, mantendo-se com enormes sacrifícios, se devotam à prestação de generoso serviço, a distribuir caridade, a cultivar espiritualidade, a manifestar amor, a anunciar a luz, a propor a paz?

    Um diagnóstico correto não pode ser parcial.

    Tudo que existe é assim com seus dois pólos. No entanto, enquanto os abutres só conseguem se interessar pela carniça, as abelhas são atraídas somente pela beleza, doçura e fragrância das flores. Aos que não vêem a não ser o lado mórbido das coisas, um convite:  dialoguem com as abelhas. A sociedade está doente pela hipertrofia de seu lado abutre com simultânea atrofia de seu lado abelha (assim já falava Sócrates). Há trevas e luz, e não somente trevas. Há ódio. Por que não o amor? Há violência, mas também há caridade Há corrupção, mas honestidade não falta.

    Por que somente o diagnóstico sombrio?

    A maioria imensa da humanidade é formada pelos “normóticos”, que desfrutam o tempo e o espaço cultural, e aí está a doença.

    A minoria dos curados de uma enfermidade chamada “normose” não pode continuar sendo esquecida. É verdade que a humanidade está enferma, e está exatamente pelo predomínio e pela ação dos medíocres e ignorantes que a integram (porque assim decidiram, “normoticamente”).

    É inadiável curar a “normose” da humanidade. E isto deve começar pela “desnormalização” de cada pessoa, o que requer, indispensavelmente, empenho e esforço pessoal depois de feita a opção por uma disciplina inteligente, por uma vigilância contínua e por jubiloso auto-sacrifício do ego no altar do Divino.

    De minhas observações durante tanto tempo, fiz levantamentos dos sintomas que, com maior freqüência, os “normóticos” apresentam. A lista não é completa e nem um “normótico” qualquer tem de ter todos estes sintomas.  Não pretendo que este inventário seja perfeito. Quando alguém conseguir inventar um “normômetro” (aparelho capaz de medir a “normalidade” de uma pessoa), prestará um serviço inapreciável à Medicina Holística, para diagnosticar a “normose”.

    Os “normóticos” têm reduzidas a juventude e a vida. As doenças degenerativas apressam a se manifestar antes do tempo. Desprovido de um motivo, elevado, sublime e nobre para viver, desde que seus objetivos são mesquinhos e imediatistas, o “normótico” desconhece o que seja equanimidade, sobriedade, serenidade e paz. São fáceis vitimas dos opostos-de-existência. (Bi-Polares) Oscilam, indefesos e inconscientes, como folhas ao vento, sem repouso e sem destino. Numa hora, festejam ruidosa e às vezes alcoolicamente uma fugaz vitória ou uma aquisição furtiva. Noutra, se deprimem e lamentam, quando alcançados por um imposto despojamento de algo que não resistiria ao tempo.

    A “normalidade” dominante ensinou o “normótico” a lutar até exaurir-se e a usar todos os meios (até, quando preciso, os sujos) na convicção pouco inteligente de “ganhar ou… ganhar”. Eles repelem a abnegação, a renúncia, a aceitação (adulta, madura) do inevitável (da realidade).

    Desconhecendo o por quê e para que viver, o “normótico”, é uma carta depositada no correio, na qual falta indicação do destinatário e do remetente. É uma carta que foi escrita inutilmente. Seu destino só pode ser a posta-restante.

    Vivendo na superfície de si mesmo, o “normótico” age sob motivações que, em alguns casos, são bem tipicamente animais: comer (qualquer coisa goela abaixo), beber, defender-se, gozar e transar. Não cultiva (portanto não colhe) valores tipicamente humanos: verdade (ou veracidade); retidão; paz; amor (universal e puro); e não-violência. Sai Baba disse que a constatação “eu sou um ser humano” é apenas a metade da verdade.  A outra metade é poder dizer: “eu sou anormal”.

    O “normótico” é um consumista obsessivo. Compra o que “precisa”, o inútil. O que ele não pode é resistir às manobras da publicidade e do marketing. Ele sofre da síndrome de “aquisitite”. Para seguir comprando, comprando, gasta e se desgasta ansiosamente, obsessivamente.

    Com a palavra “mesmismo” Erich Fromm denominou o fenômeno de cada um precisar se parecer com o outro. O “normótico” calça os mesmos tênis, veste as mesmas calças, bebe os mesmos refrigerantes, fuma as mesmas marcas, se fanatiza pelos mesmos ídolos populares, curte as mesmas músicas, demonstra, com isto, que sua segurança está em “ser normal”; falta-lhe a salvadora coragem de ser “anormal”. Quanto mais “normótico”, mais submisso aos modelos da normalidade e imediatismo.    Esta tendência a entregar-se indefeso e inconsciente à robotização orquestrada pela propaganda massifica-o, esvazia-o. E é ainda pior quando se fanatiza por movimentos, líderes, seitas etc.

    Porque nem imagina quanto o amor e a felicidade nos completam, o “normótico” confunde os simples desvarios sexuais (mero atrito, zero afeto e amor) com ser feliz. E o sentimento de posse do outro e o ciúme, que são apego-dependência, ele confunde com amor.

    Na ânsia por uma mal-entendida liberdade, certos “normóticos” neuróticos confundem o ser feliz com o ser devasso, “assumido”, “liberado”, e se sentem à vontade em “curtir um barato. Ao que não sabe o que é a verdadeira liberdade, eu lembraria que é a capacidade de não fazer aquilo que não se quer ou que se precisa não fazer (o coração decidiu). Não é o fazer aquilo que se deseja fazer. Muitos jovens, confundindo a liberdade com outra coisa, às vezes rompem com violência seus vínculos com o lar, e se entregam a uma aventura, que, a princípio, pode até ser uma aventura, mas inevitavelmente acaba em desventura.

    Há uma forma “normóide” de exercer poder político, econômico e social, na qual o “normótico” sempre tira proveito pessoal, indiferente à dor, à miséria, à injustiça que impõe às multidões de infelizes. Calígulas e Neros de gravata, os “normóticos” poderosos são pragas a fazer muitas vítimas.

    Toda a minha literatura tem sido voltada para alertar os “normóticos”, convidando-os para dar uma guinada no rumo da verdadeira paz, do amor bem-aventurado, no rumo da sabedoria que liberta, da saúde, da alegria pura, da “anormalidade”, finalmente da vida abundante.