Pãozinho de Quinoa e Açafrão da Terra

    Estes pãezinhos são uma opção prática para uma dieta livre de glúten e chegam com o convite para novas criações, onde você pode seguir sua intuição, sua inspiração, e acrescentar diferentes especiarias, temperos e sementes. Dê o seu toque, revelando o seu sabor!

    Ingredientes:

    •  ½ xícara de quinoa em grãos orgânica
    • 1 xícara de farinha de arroz integral orgânico
    • 4 colheres de sopa de polvilho azedo
    • 2 e ½ xícaras de água
    • 1 colher de sopa de Tahine Cru Bioporã
    • 2 colheres de sopa de alecrim
    • 1 colher de chá de açafrão da terra (cúrcuma)
    • sal marinho

    Modo de fazer:

    Leve ao fogo, a quinoa e 1 xícara de água, cozinhando até secar a água. Em uma vasilha, coloque a quinoa cozida, a farinha de arroz, o polvilho azedo, o tahine, o açafrão, o alecrim, e o sal, misturando com as mãos e integrando todos ingredientes.

    Aqueça 1 e ½ xícara de água e incorpore à massa. Com uma colher distribua a massa em uma assadeira untada. Leve para assar por aproximadamente 30 minutos. Deixe os pãezinhos esfriarem e saboreie com Molho de Tahine (tahine + limão + sal + água).

    Pãezinhos com Tahine Cru Bioporã, por Anah Locoselli.

    Pãezinhos com Tahine Cru Bioporã, por Anah Locoselli.

     Nesta “estréia” do Blog, além de compartilhar uma receita, pedimos para os Nutrichefs Bioporã responderem 3 perguntinhas para a gente conhecer um pouquinho mais sobre eles… Confira as respostas da Anah Locoselli:

    • O que é saúde para você?

    Sentir vontade de sorrir, cantar, dançar, brincar, interagir, inspirar vitalidade, expirar amor. Equilíbrio que se faz e transborda, permissão para ouvir e manifestar estados de completude, integridade, plenitude. Um querer permanecer e Ser Todo, deixar pulsar e expandir o estado natural, livre de interferências, bloqueios, negações, um “SIM” dito como um todo que acolhe e agradece a dádiva da vida, reconhecendo a beleza de aqui estar manifestando a perfeição do Ser, a sua saúde.

    •  O que é alimento de verdade para você?

    Estar atento às escutas do corpo permite reconhecer o que nutre, como, e porque, trazendo recursos para saber distinguir o que de fato é alimento, uma aventura que convida a saborear, permitindo amplificar seu conceito. A consciência revela que somente o que promove equilíbrio, vitalidade, harmonia, paz, confiança, bem estar, pode ser nomeado alimento.

    • Qual seu conselho para quem quer manter uma alimentação saudável e tem pouco tempo para preparar seus alimentos?

    Um querer apropriar-se de uma alimentação saudável às vezes esbarra na falta de tempo, contudo é possível trazer agilidade e fluidez ao cozinhar simplesmente adotando o hábito da presença. Estar absorto no momento presente permite desenvolver o poder de foco e atenção plena, gerando recursos que otimizam o preparo do alimento, levando embora distrações que consomem tempo e alimentam desculpas, dificultando assumir a vontade de integrar uma nova postura alimentar. O Ser presente é consciente de seu poder de escolha e sabe que pode gerir sua vida, realizando aquilo que realmente quer. Com o “SIM” dito ao querer, entrar na cozinha convida a sintonizar com o alimento, facilitando seu manuseio e ativando o processo criativo para elaboração de pratos no tempo disponível.

    Óleo de coco, manteiga de coco, saúde e obesidade

    Por Adriano Cáceres, terapeuta ayurvédico, graduando em nutrição, especialista em Alimentação Viva e coordenador do Semente N’ativa

    O uso do óleo de coco e da manteiga de coco na culinária tem sido largamente difundido por profissionais da área da saúde, uma vez que diversas pesquisas mostram os seus benefícios na manutenção da saúde, e também no tratamento da obesidade. E quando estudamos os efeitos metabólicos dos óleos industriais (soja, milho, canola e girassol), que são ricos em gorduras ômega-6, percebemos que o uso excessivo destes óleos, associado à uma dieta rica em açúcares ou produtos açucarados, têm sido os principais responsáveis pelo aumento da incidência de doenças circulatórias e obesidade. Há muitos estudos que mostram essa relação. Ainda, vale lembrar que os óleos industrias mencionados podem apresentar resíduos de solventes de petróleo como o N-hexano, além de outros contaminantes.

    O óleo e a manteiga de coco são ricos em ácidos graxos saturados de cadeia média (especialmente o ácido láurico e o ácido caprílico). São ácidos graxos que apresentam propriedades antimicrobianas, ajudando no combate à fungos, bactérias e certos tipos de vírus. Além disso, no óleo de coco extra-virgem (prensado a frio), observa-se uma maior concentração de compostos fenólicos (o que confere um maior poder antioxidante) em relação ao óleo de coco refinado (1). Muitos suplementos de óleo de coco no mercado estão sendo feitos com óleo de coco refinado. Portanto, o consumidor deve estar atento a esta diferença, dando preferência ao óleo de coco orgânico extra-virgem.

    Pesquisa feita em 2008 mostrou que o óleo de coco apresenta propriedades antitrombóticas (inibição da formação de trombos) e efeitos de inibição da oxidação do LDL (2), uma lipoproteína que transporta o colesterol. Sabe-se que um dos principais fatores que causam a aterosclerose é a inflamação nos vasos sanguíneos, associada ao LDL oxidado. Dessa forma, o óleo de coco pode contribuir para a saúde cardiovascular e para a prevenção de doenças circulatórias. Tais efeitos provavelmente se devem à presença de componentes biologicamente ativos no óleo, como vitamina E, provitamina A, polifenóis e fitoesteróis. É importante lembrar que o óleo de coco, embora seja o óleo mais indicado para frituras, perde boa parte destes componentes antioxidantes, quando é exposto a altas temperaturas.

    Além dos efeitos benéficos mencionados, o óleo de coco ainda pode ser utilizado com sucesso no tratamento da obesidade. Sabemos que o adipócito é a célula responsável pelo armazenamento de gordura, em nosso corpo. Dentro dos adipócitos, assim como dentro da maioria dos tipos de células em nosso corpo, existe uma organela muito importante chamada mitocôndria. Talvez você já tenha ouvido falar dela nos tempos de colégio. A principal função da mitocôndria é a produção de energia. Dentro das mitocôndrias acontece uma sequência de reações muito importantes, conhecidas como Ciclo de Krebs. Se a mitocôndria é a usina de geração de energia, o Ciclo de Krebs é a sala de máquinas. Os compostos ricos em elétrons produzidos no Ciclo de Krebs doam os seus elétrons para a Cadeia Transportadora de Elétrons, e através de um processo conhecido como fosforilação oxidativa, é produzida a maior parte da energia biológica que precisamos para viver. Essa energia é armazenada na forma de uma molécula, denominada ATP. Na Cadeia Transportadora de Elétrons, estão envolvidos 5 complexos. Mas existe um sexto complexo chamado de UCP-1 (unidade desacopladora de elétrons), cuja função é fazer termogênese. Já ouviu falar dos alimentos termogênicos? Pois é, um alimento termogênico verdadeiro possui a capacidade de estimular a UCP-1, gerando calor e fazendo o adipócito queimar a própria gordura. E as pesquisas têm mostrado que o óleo de coco é um alimento estimulador das UCP-1, podendo contribuir para a queima de gordura do adipócito, o que é muito interessante no tratamento da obesidade (3).

    Outros trabalhos mostraram que o óleo de coco e a manteiga de coco são capazes de aumentar os níveis de GLP-1, no intestino, que também é uma substância que estimula as UCP-1, contribuindo para queimar a gordura do adipócito. Daí a importância de se ter um intestino saudável, para produzir bastante GLP-1 e poder queimar gordura no adipócito. Vale lembrar que qualquer mudança na alimentação deve ser acompanhado por um profissional de saúde. No caso do óleo de coco, não se deve consumir mais do que 3 colheres de sopa por dia, pela sua tendência em elevar o colesterol, quando em excesso. Além disso, deve-se atentar para o fato de que uma colher de óleo de coco possui cerca de 130 calorias, enquanto uma colher de manteiga de coco possui cerca de 100 calorias. Ou seja, é um alimento relativamente calórico, mas que possui efeitos notáveis no metabolismo.

    Se o óleo de coco é uma boa opção, a manteiga de coco parece ser ainda melhor. Isso porque a manteiga de coco possui fibras prebióticas, ao contrário do óleo de coco. Uma colher de manteiga de coco possui cerca de 2g de fibras, além de pequenas quantidades de potássio, magnésio e ferro. Para apresentar esses benefícios, é importante que a Manteiga de Coco seja produzida a partir de cocos secos integrais, desidratados a temperaturas inferiores a 45oC e sem o uso de conservantes ou aromatizantes. A manteiga de coco apresenta o sabor naturalmente adocicado do coco e pode ser consumida in natura ou em preparações culinárias diversas.

    Referências:

    (1) – MARINA, A. M. et al., 2009 – Virgin Coconut Oil – emerging functional food oil. Trends in Food Science and Technology, 20 (2009) 481-487.

    (2) – NEVIN, K. G. & RAJAMOHAN, T., 2008 – Influence of Virgin Coconut Oil on blood coagulation factors, lipid levels and LDL oxidation in cholesterol fed Sprague-Dawley rats, The European e-Journal of Clinical Nutrition and Metabolism, 2008 (3) e1-e8.

    (3) – PORTILLO, M. P., et al., 1998 – Energy restriction with high fat diet enriched with coconut oil  gives higher UCP-1 and lower white fat in rats, International Journal of Obesity (1998) 22, 974-979

     

    manteigacoco_bioporã

     

    Molho de Cajuhine com Limão Siciliano

    Um molho leve e saboroso para acompanhar saladas, wraps, tapiocas ou o que mais sua criatividade permitir. As Manteigas da Bioporã são super versáteis e podem ser transformadas em molhos, patês ou “maioneses” sem lactose, basta adicionar seus temperos favoritos!
    Ingredientes:
    • 2 colheres de sobremesa cheias de Cajuhine Bioporã
    • 1 colher de sobremesa de sumo de limão siciliano orgânico
    • Raspas da casca do limão sicilano
    • 1 colher de café de gengibre ralado (só o sumo)
    • 1 pitada de sal marinho
    • Água filtrada até dar a consistência desejada de molho.

     

    Modo de Preparo:

    Em um potinho pequeno, misture o cajuhine com água, sumo de limão e sumo de gengibre até ir chegando na consistência de molho. Acrescente a pitada de sal e as raspas de limão siciliano. Misture bem. Esse molho fica melhor ainda utilizado no dia seguinte. Deixe na geladeira para marinar os sabores. Sirva com saladas, wraps, purês etc.

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    Molho de Cajuhine, por Malu Paes Leme.

     

    Nesta “estréia” do Blog, além de compartilhar uma receita, pedimos para os Nutrichefs Bioporã responderem 3 perguntinhas para a gente conhecer um pouquinho mais sobre eles… Confira as respostas da Malu Paes Leme:

    • O que é saúde para você?

    Saúde pra mim é harmonia. É o olhar sobre a vida/corpo/mente/espiríto de forma holística, abrangente, conectada e inteligente. Saúde é a soma e consequência diária de como nos tratamos.

    •  O que é alimento de verdade para você?

    Alimento de verdade é aquele mais próximo da colheita-consumo, isto quer dizer, alimentos naturais, integrais e frescos vindos de solos saudáveis e ricos em nutrientes onde, depois de colhidos, serão consumidos de forma mais simples e integral possível. Longe de ser alimento que passa por grandes indústrias, modificações genéticas, chuva de agrotóxicos, processamentos, refino e adições. Alimento de verdade não precisa de nada, ele já é.

    •  Qual seu conselho para quem quer manter uma alimentação saudável e tem pouco tempo para preparar seus alimentos?

    Vá pelo caminho da simplicidade. Opte por mais frutas e vegetais na base de sua alimentação, eles são os alimentos mais práticos que tem. Frutas então, precisam de pouquíssimo preparo, só é importante tê-las sempre maduras (para serem saborosas e realmente nutritivas) e consumí-las numa maior quantidade para realmente satisfazer. Organize-se para a semana, tendo alimentos básicos em casa para qualquer hora como por exemplo: ervas frescas, limão, molho de tomate caseiro, uma boa manteiga vegana (como as da Bioporã) para ter sempre uma base legal e rápida para molhos, frutas e vegetais frescos para ter à mão, e outros alimentos como goma de tapioca para preparar deliciosos e rápidos sandubas de tapioca.  Se não pode ir à feira orgânica, peça as cestas orgânicas que muitos locais fornecem e que entregam na sua casa semanalmente. E claro, tenha uma boa fonte de receitas para te inspirar no dia a dia e não deixar a mesmice tomar conta.

    Óleos Integrais x Óleos Isolados

    Um vídeo para fazer você refletir sobre os óleos vegetais isolados, como o azeite de oliva e o óleo de coco.

    A química, autora e palestrante Conceição Trucom* oferece uma visão contundente a respeito dos óleos vegetais isolados.

    Será que estes alimentos são tão benéficos como se autodeclaram?

    Trucom também fala sobre alimentos oleaginosos integrais e responde a dúvida de muita gente: afinal, qual é a diferença entre a Manteiga de Coco Bioporã e o óleo de Coco?

    Nossa intenção sincera em compartilhar este vídeo não é atacar este ou aquele alimento. Queremos contribuir para o exercício da reflexão, pois sem ela não existe consciência alimentar.

    Bom proveito!

    Confira o material original em: http://www.docelimao.com.br/site/tv-de-bem/2089-tv-de-bem-com-a-natureza-10-oleos-isolados.html

    *Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida. Conheça mais sobre o seu trabalho em: www.docelimao.com.br

     

    Livre-se da Normose*

    *Trechos da entrevista cedida pelo Prof. Hermógenes para o livro “Palavras de Poder”, Ed. LeYa, 2011.

    Professor_hermogenesJosé Hermógenes de Andrade Filho (1921-2015) é considerado o pioneiro em medicina holística no Brasil, com mais   de 50 anos de prática e ensino de Yoga. Filósofo, poeta, escritor e terapeuta, o professor Hermógenes viveu até os 94 anos e inspirou milhares de pessoas com seus livros, suas ações e seu exemplo. Com a sua experiência e observação, criou a palavra “normose” para identificar aquele que talvez seja um dos grandes problemas da sociedade contemporânea.

    “Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito ‘normal’ é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.

    Quem não se ‘normaliza’, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.

    A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?
    Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem!

    Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha ‘presença’ através de modelos de comportamento amplamente divulgados.

    Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

    normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias.

    Um pouco de auto-estima basta.

    Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu ‘normal’ e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.

    O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

    Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.

    Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.”

    O mundo “normal” nos atrai. Enquanto atrai, nos distrai. E porque nos distrai, nos trai. Se nos deixamos trair, ele nos destrói.

    É hora de despertar!

    Sinceramente: “Deus me livre de ser normal”.

    Desde que comecei a caminhar no Yoga venho conseguindo manter uma bendita e invejável “anormalidade”. Eu já fui “normal” e não tenho saudades. Venho estendendo meu convite a todos para que comecem a sua “desnormalização”. E, este meu convite é uma expressão de amor ao homo sapiens, à minha espécie.

    Será absurdo clamar aos homens e mulheres desta sacrificada, caótica, amoral, violenta, injusta, vazia, entediada, poluída, cruel, amalucada e decadente sociedade em que vivemos que tomem consciência, e não mais continuem a submeter-se inconscientemente a esta lógica, obsedante e patológica “normalidade”?

    Será estranho o meu clamor aos acomodados ou rendidos que se rebelem e se libertem?

    Será mesmo descabido a proposta de uma terapia que pretenda curar esta doença que vem sendo chamada “normalidade”, “normose”?

    O homem “normal” é um doente! Quando se diz “em terra de cego quem tem um olho é rei”, está se dizendo que a cegueira é o “normal”.  Nesse caso, o “anormal”, aquele que vê, é bastante melhor, tanto que pode ser o “rei”.

    Há décadas, o Papa Paulo VI diagnosticou a sociedade de seu tempo, dizendo: “O mundo está doente”.  Você contesta? Ou constata?

    Considerando somente as aparências, isto é, aquilo que a mídia (imprensa, rádio e TV) fez aparecer, o mundo parece estar em acelerada degradação, parecendo um filme de terror, escorregando para a tragédia.  Visando vender para os “normóticos”, para a massa ignorante (que ignora e faz tudo para seguir ignorando), desprovida de discernimento – e, sem dúvida, padecendo de acentuado distúrbio sadomasoquista, que se deleita no consumo de notícias mórbidas, de sujeira, crueldade e pavor -, os grandes veículos se aprimoram em acentuar as tintas negras, os sintomas alarmantes, ao dar publicidade predominante ao lado enfermiço da humanidade.

    E não é somente a imprensa que vende tais aspectos e componentes trágicos, doentes e poluídos da sociedade humana; a sub-arte também. Cinema, fitas de vídeo, novelas, casas de espetáculo exageram os aspectos chocantes, aberrantes, teratológicos (estudo das monstruosidades), mórbidos, poluentes e sórdidos das vidas de homens e mulheres.

    E os alimentos? A propaganda infantil é a mais cruel de todas, porque já incentiva ao consumo de alimentos que danifica seus corpos, cérebros e mentes.

     Os teóricos argumentam que isto é a realidade e é assim que deve ser mostrada. O que é assim não é a realidade, mas apenas um setor da sociedade, aquele que alguns irresponsavelmente acham de vitrinizar. Alguma parte da sociedade é de gente boa, equilibrada, sadia, espiritualmente nobre e bonita (“anormais”), mas alguns obsessivamente fazem questão de ignorar.

    Quantas pessoas e instituições sociais, mantendo-se com enormes sacrifícios, se devotam à prestação de generoso serviço, a distribuir caridade, a cultivar espiritualidade, a manifestar amor, a anunciar a luz, a propor a paz?

    Um diagnóstico correto não pode ser parcial.

    Tudo que existe é assim com seus dois pólos. No entanto, enquanto os abutres só conseguem se interessar pela carniça, as abelhas são atraídas somente pela beleza, doçura e fragrância das flores. Aos que não vêem a não ser o lado mórbido das coisas, um convite:  dialoguem com as abelhas. A sociedade está doente pela hipertrofia de seu lado abutre com simultânea atrofia de seu lado abelha (assim já falava Sócrates). Há trevas e luz, e não somente trevas. Há ódio. Por que não o amor? Há violência, mas também há caridade Há corrupção, mas honestidade não falta.

    Por que somente o diagnóstico sombrio?

    A maioria imensa da humanidade é formada pelos “normóticos”, que desfrutam o tempo e o espaço cultural, e aí está a doença.

    A minoria dos curados de uma enfermidade chamada “normose” não pode continuar sendo esquecida. É verdade que a humanidade está enferma, e está exatamente pelo predomínio e pela ação dos medíocres e ignorantes que a integram (porque assim decidiram, “normoticamente”).

    É inadiável curar a “normose” da humanidade. E isto deve começar pela “desnormalização” de cada pessoa, o que requer, indispensavelmente, empenho e esforço pessoal depois de feita a opção por uma disciplina inteligente, por uma vigilância contínua e por jubiloso auto-sacrifício do ego no altar do Divino.

    De minhas observações durante tanto tempo, fiz levantamentos dos sintomas que, com maior freqüência, os “normóticos” apresentam. A lista não é completa e nem um “normótico” qualquer tem de ter todos estes sintomas.  Não pretendo que este inventário seja perfeito. Quando alguém conseguir inventar um “normômetro” (aparelho capaz de medir a “normalidade” de uma pessoa), prestará um serviço inapreciável à Medicina Holística, para diagnosticar a “normose”.

    Os “normóticos” têm reduzidas a juventude e a vida. As doenças degenerativas apressam a se manifestar antes do tempo. Desprovido de um motivo, elevado, sublime e nobre para viver, desde que seus objetivos são mesquinhos e imediatistas, o “normótico” desconhece o que seja equanimidade, sobriedade, serenidade e paz. São fáceis vitimas dos opostos-de-existência. (Bi-Polares) Oscilam, indefesos e inconscientes, como folhas ao vento, sem repouso e sem destino. Numa hora, festejam ruidosa e às vezes alcoolicamente uma fugaz vitória ou uma aquisição furtiva. Noutra, se deprimem e lamentam, quando alcançados por um imposto despojamento de algo que não resistiria ao tempo.

    A “normalidade” dominante ensinou o “normótico” a lutar até exaurir-se e a usar todos os meios (até, quando preciso, os sujos) na convicção pouco inteligente de “ganhar ou… ganhar”. Eles repelem a abnegação, a renúncia, a aceitação (adulta, madura) do inevitável (da realidade).

    Desconhecendo o por quê e para que viver, o “normótico”, é uma carta depositada no correio, na qual falta indicação do destinatário e do remetente. É uma carta que foi escrita inutilmente. Seu destino só pode ser a posta-restante.

    Vivendo na superfície de si mesmo, o “normótico” age sob motivações que, em alguns casos, são bem tipicamente animais: comer (qualquer coisa goela abaixo), beber, defender-se, gozar e transar. Não cultiva (portanto não colhe) valores tipicamente humanos: verdade (ou veracidade); retidão; paz; amor (universal e puro); e não-violência. Sai Baba disse que a constatação “eu sou um ser humano” é apenas a metade da verdade.  A outra metade é poder dizer: “eu sou anormal”.

    O “normótico” é um consumista obsessivo. Compra o que “precisa”, o inútil. O que ele não pode é resistir às manobras da publicidade e do marketing. Ele sofre da síndrome de “aquisitite”. Para seguir comprando, comprando, gasta e se desgasta ansiosamente, obsessivamente.

    Com a palavra “mesmismo” Erich Fromm denominou o fenômeno de cada um precisar se parecer com o outro. O “normótico” calça os mesmos tênis, veste as mesmas calças, bebe os mesmos refrigerantes, fuma as mesmas marcas, se fanatiza pelos mesmos ídolos populares, curte as mesmas músicas, demonstra, com isto, que sua segurança está em “ser normal”; falta-lhe a salvadora coragem de ser “anormal”. Quanto mais “normótico”, mais submisso aos modelos da normalidade e imediatismo.    Esta tendência a entregar-se indefeso e inconsciente à robotização orquestrada pela propaganda massifica-o, esvazia-o. E é ainda pior quando se fanatiza por movimentos, líderes, seitas etc.

    Porque nem imagina quanto o amor e a felicidade nos completam, o “normótico” confunde os simples desvarios sexuais (mero atrito, zero afeto e amor) com ser feliz. E o sentimento de posse do outro e o ciúme, que são apego-dependência, ele confunde com amor.

    Na ânsia por uma mal-entendida liberdade, certos “normóticos” neuróticos confundem o ser feliz com o ser devasso, “assumido”, “liberado”, e se sentem à vontade em “curtir um barato. Ao que não sabe o que é a verdadeira liberdade, eu lembraria que é a capacidade de não fazer aquilo que não se quer ou que se precisa não fazer (o coração decidiu). Não é o fazer aquilo que se deseja fazer. Muitos jovens, confundindo a liberdade com outra coisa, às vezes rompem com violência seus vínculos com o lar, e se entregam a uma aventura, que, a princípio, pode até ser uma aventura, mas inevitavelmente acaba em desventura.

    Há uma forma “normóide” de exercer poder político, econômico e social, na qual o “normótico” sempre tira proveito pessoal, indiferente à dor, à miséria, à injustiça que impõe às multidões de infelizes. Calígulas e Neros de gravata, os “normóticos” poderosos são pragas a fazer muitas vítimas.

    Toda a minha literatura tem sido voltada para alertar os “normóticos”, convidando-os para dar uma guinada no rumo da verdadeira paz, do amor bem-aventurado, no rumo da sabedoria que liberta, da saúde, da alegria pura, da “anormalidade”, finalmente da vida abundante.

    Alimentação Desintoxicante*

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    *Texto extraído do livro Alimentação Desintoxicante, da autora Conceição Trucom, Ed. Alaúde.

    Na Alimentação Desintoxicante, a principal proposta é a prática do “banho interno DIÁRIO”. Um hábito de vida, divertido e sábio, independente do fato de sermos jovens ou não, magros ou não, vegetarianos ou não, cultos e poderosos ou não. Nesta prática há um foco proposital no favorecimento do “alívio” e limpeza dos 5 sistemas excretores de seus venenos e toxinas.

    Tais 5 sistemas excretores são: Fígado e Vesícula, Intestinos Delgado e Grosso, Pele, Pulmões e Rins.

    E, tais toxinas, que são inerentes ao corpo humano, estão hoje em níveis exacerbados e abundantes devido aos agitados contextos da vida moderna. Lembrar que toxinas sempre estarão presentes no metabolismo humano, seja por: 1) geração espontânea (endógena), 2) ingestão, 3) inalação, 4) injeção ou 5) penetração cutânea (exógenas).

    Entretanto, o favorecimento diário da “desintoxicação e alívio” destes 5 sistemas excretores, apesar de uma compreensão imediata e óbvia de seus benefícios, guarda desdobramentos para a plena saúde física, emocional, psicológica e espiritual que ainda não temos a sua total extensão.

    Para refletirmos e chegarmos um pouco mais perto da significância desta “limpeza interna diária” que é a Alimentação Desintoxicante, recorro aos conhecimentos da milenar Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

    A partir deste conjunto de ensinamentos, pude observar uma ligação mágica entre os 5 Sistemas Excretores, os 5 Sentidos, que são manifestações que comprovam que o Ser está vivo, encarnado; como também com os 5 Sabores, cuja percepção é feita pelas papilas gustativas, localizadas na língua que guarda uma ligação absolutamente estreita com o Coração, a Mente e o Cosmos.

    Os papéis que jogam os Órgãos e Vísceras, entre eles os excretores

    Segundo a MTC – ver tabela a seguir – são considerados Órgãos: o Coração, o Fígado, os Pulmões, os Rins, o Baço e o Pericárdio.

    São consideradas Vísceras: a Vesícula Biliar, o Intestino Delgado, o Intestino Grosso, o Estômago e a Bexiga.

    Para a MTC os Órgãos são Yin, não têm contato com o exterior, são maciços e têm como funções fabricar e armazenar as Substâncias Fundamentais, enquanto que as Vísceras são Yang, ocas, têm contato com o exterior e impulsionam as substâncias.

    Os principais representantes dos Sistemas Excretores foram grifados, mas segue abaixo uma breve descrição, segundo os ensinamentos da MTC sobre cada um dos órgãos e vísceras do organismo humano.

    CORAÇÃO: tem como função fazer circular o Sangue dentro dos Vasos. Manifesta-se na face, abre-se na língua (papilas degustativas), abriga a Mente (a boca é um local de consciência e de extrema importância nas atividades mentais) e guarda o Espírito. Sua emoção é a alegria, controla a sudorese, a coerência da fala, o sono e os sonhos.

    FÍGADO: tem como função armazenar o Sangue, manter o livre fluxo de Qi (energia vital) e controlar os tendões. Manifesta-se nas unhas e joelhos. O fígado é responsável pela visão física e metafísica. Sua emoção é a raiva, a ira e também auxilia o controle dos sonhos.

    VESÍCULA BILIAR: acoplada ao fígado, é oca e tem a forma de uma cápsula. Armazena e excreta a bile. Controla a coragem e a força de vontade.

    BAÇO: tem como função produzir a transformação e transporte dos alimentos para serem absorvidos, por isso exerce papel importante na formação do Sangue e de Qi (energia vital). Mantém o Sangue dentro dos vasos sanguíneos impedindo os extravasamentos, domina as carnes e os músculos, abre-se na boca e manifesta-se nos ábios, responsável pelo paladar. Sua emoção é a preocupação.

    PULMÃO: é responsável por dominar o Qi (energia vital) e controlar a respiração. Distribui Qi e Líquidos Orgânicos para todo o corpo, abre-se no nariz, manifesta-se na pele, controla a força da voz, responsável pelo olfato. Sua emoção é a tristeza.

    RIM: é responsável por armazenar a nossa Essência e controlar o crescimento, desenvolvimento e a reprodução. Domina o metabolismo da água, recebe Qi do Pulmão, domina os ossos, os dentes, produz a medula e manifesta-se nos cabelos, sua abertura para o exterior é a orelha, responsável pela audição e domina os orifícios inferiores. Sua emoção é o medo.

    INTESTINO DELGADO: as suas principais funções são receber, transformar e absorver os alimentos e separar o puro do impuro. Um verdadeiro cérebro, tem a inteligência de separar o que será nutrição e enviar para o Sangue, o que será excreto e liberar para o Intestino Grosso.

    INTESTINO GROSSO: as suas principais funções são eliminar as fezes e absorver a água excessiva originária da formação das fezes.

    Os 5 Sentidos e os 5 Sabores

    A Mente (Shen) além de ser responsável pelas atividades mentais é também responsável pelos órgãos e vísceras do sentido. O sistema Coração (Xin) – Mente (Shen) com sua função de impulsionar o Sangue para nutrir todas as estruturas e de ser a “morada” da Mente (Shen), atuam em conjunto sobre cada órgão/víscera segundo cada especificidade.

    Assim o sistema Fígado é responsável pelo sentido da visão (olhos) que necessita de Sangue limpo e saudável para ser nutrido e da Mente para reconhecer os estímulos visuais.

    O sentido da audição (ouvidos) pertence ao sistema Rim que também necessita de Sangue limpo e saudável para sua nutrição e da Mente para o reconhecimento auditivo.

    O sentido do olfato (nariz) pertence ao sistema Pulmão que desintoxica pela expiração (gás carbônico e outros gases, além de venenos/excessos dissolvidos nos de vapores d’água da expiração) e renova o Sangue com os “novos ares” de uma respiração plena e saudável, para sua nutrição e da Mente para o reconhecimento olfativo.

    O sentido do tato (pele) necessita da cognição e da organização das sensações aos estímulos externos, pode-se dizer que pertence aos sistemas Coração/Intestino Delgado e Pulmão/Intestino Grosso que necessitam de Sangue limpo e saudável, além de alimentos biogênicos e bioativos (mais integrais, crus e frescos) para serem nutridos e da Mente para terem os respectivos estímulos reconhecidos.

    O sentido do paladar cuja língua na anatomia da MTC é considerada o “broto do Coração (Xin)”. E um fato que nos sugere muita reflexão e estudo: na língua é onde encontram-se as papilas degustativas dos 5 sabores: adocicado, salgado, ácido, picante e amargo. Ou seja, ter as papilas degustativas, “acordadas” e tonificadas com o estímulo de todos os 5 sabores é um conhecimento milenar, muito usado pelas composições alimentares sugeridas pelas medicinas mais antigas da humanidade que são a MTC e a Auyrvédica.

    Uma breve reflexão

    Ter os 5 sistemas excretores sempre “aliviados” e acordados, tem o poder de nos levar ao uso dos 5 sentidos com mais precisão, nos colocando numa condição mais meditativa ou de “estado de alerta”. Ou seja, o uso pleno dos 5 sentidos nos coloca numa condição de Seres mais vivos e despertos.

    E, fazer uso adequado e equilibrado dos 5 sabores em nossa alimentação diária, também pode nos ajudar em todo este processo.

    Aliás, um organismo desintoxicado percebe melhor os 5 sabores e deseja fazer uso diário de todos eles com moderação, pois os estímulos às papilas degustativas não depende de quantidade, mas de qualidade. E lembrando: nas papilas degustativas encontra-se o “o broto do Coração”.

    Uma curiosidade: a Terapia Floral, que usa a parte mais essencial de uma planta, as flores, para tratar a alma humana, usa a língua como local de administração.

    Pode-se observar a amplitude de toda esta integração refletindo sobre a tabela abaixo:

    Nota: o sabor adstringente está inserido em todos os sabores, não só para favorecer a percepção de cada um deles, mas também para permitir a integração de todos.

    Nota: o sabor adstringente está inserido em todos os sabores, não só para favorecer a percepção de cada um deles, mas também para permitir a integração de todos.

     

    5 Filmes sobre Consciência Alimentar

    Dica de documentários com o potencial de mudar a nossa percepção sobre a alimentação e a maneira como nos relacionamos com o alimento.

    1. Muito Além do Peso

    O filme mostra dados sobre a obesidade infantil que vão além do pacote de biscoito recheado e do refrigerante. A indústria alimentícia, o excesso de publicidade, a crise na educação, os pais, a mídia, as políticas governamentais e a falta de informação são alguns dos ingredientes que compõem este triste cenário.

    No Brasil, 33% das crianças são obesas ou têm sobrepeso. É uma geração inteira com menor expectativa de vida, mais doente e mais sedentária, que está acostumada a comer de acordo com um padrão insustentável que muitas vezes começa no colo: 56% dos bebês brasileiros com menos de um ano bebem refrigerante desde a mamadeira!

     

    2. O Veneno está na Mesa

    O cineasta Silvio Tendler aprofunda a questão do uso abusivo de agrotóxicos no Brasil, que, desde 2008, é o país que mais se alimenta com veneno no mundo.

     

    3. A Carne é Fraca

    Uma produção do Instituto Nina Rosa, que mostra os processos que estão por trás da indústria de carnes.

     

    4. Food Inc (Comida S/A)

    O documentário concorreu ao Oscar em 2010. É um filme que traça muito bem o perfil sobre como são criados e abatidos os animais pela indústria de carnes, utilizando de excessos de hormônios e antibióticos. Através de entrevistas com pessoas que mudaram seus hábitos alimentares, ele também aponta possíveis soluções.

     

    5. A Engrenagem

    O desmatamento da Amazônia e outros biomas para originar pastos, o consumo de água e grãos usados na produção de carne, o poder da indústria agropecuária e a saúde dos consumidores são alguns dos temas abordados neste curto vídeo de 16 minutos, mas bastante informativo.